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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cotidiano

Amanheço
com a boca seca
cabelos em pé
pontadas no peito
ausência de fé
Deixo
a cama 
acendo o cigarro
passo café
da janela vislumbro
o mundo 
(meu pequeno universo ali contido ) 
automóveis acelerados
vão e vem 
pessoas de passos apresados
correndo para todos os lados
(para que, por que, tanta pressa?)
Bebo o café
como meu pão com manteiga
acendo outro cigarro
tomo meu banho
penteio o cabelo
visto minha roupa
 com olhar feroz
lanço-me a rua


açodado
                            
                               Dantes


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Senão


Em 
tudo que vejo
em 
tudo que sinto
em 
tudo que penso
em
tudo que toco
em
todos que amo

há sempre um


senão






sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ampulheta

Ontem?
fui o menino que despencou
dos céus na aurora de um novo dia,
apadrinhado pela melancolia...

Hoje?
homem feito e refeito de prantos,
sem esconder no olhar o espanto,
com as escolhas da vida...

Amanhã?
apenas um rabisco  
num emaranhado de páginas
desgastadas pelo tempo...
 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O vinho de Rubaiyat

1
Pobre de quem não ama
deixando apagar a chama
delirante da paixão.
Acaba com a cara na lama. 
 2
Um jardim enfeitado 
é sempre mais perfumado
pelo suor dos corpos 
 pós o amor consumado.
3
Grandioso é o prazer
de sentir pender
  teu corpo nu sobre o meu.
Sinto-me um jardim a florescer!
4
Busca um canto florido
onde não haja o alarido
imundo das multidões.
 Conecte-se com o infinito!


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Polisipo

Uma cerveja,
uma tragada, um riso...
É o que me basta,
pra estar perto do paraíso...
Não aquele dos contos 
de fadas,
e sim aquele possível...
Imponderável,
porém compreensível,
a duas almas
de tudo tão
tristes...

                                                                                                   Dantes

Canção do butiá

Minha terra tem o palmar,
Onde dá muito butiá,
Os frutos que aqui dão,
Não adoçam como os de lá.
Que saudade de minha terra,
De tudo que há por lá,
Não permita Deus que eu morra,
Sem que toque aquele chão.
Sem que veja meus amigos, 
Sem que abrace meu irmão,
Sem  que fale a todo mundo,
De meu amor aquele rincão.


                                                                                                                                       Dantes
Caído
Desterrado do céu
sob a névoa da manhã
 o anjo se banha
 Migração
 Voam as garças
ninguém sabe onde irão
findo o verão
Fluxo

Corre o rio
faça frio ou calor
eternamente


Entranha

Desejo bem mais
do que o beijo
ou apenas sucumbir
ao desejo...

O que almejo
é entranhar meu corpo
dentro do Teu
pela posteridade...

                         Dantes